2009/11/28

A causa da eleição

John Gill

Essas máximas são certamente verdadeiras e incontestáveis:

1. Nada pertencente ao tempo pode ser a causa do que foi feito na eternidade. Crer, realizar boas obras e perseverar nelas são atos que ocorrem no tempo e, portanto, não podem ser a causa da eleição, ocorrida na eternidade; e

2. Nada além de Deus pode ser a causa de qualquer decreto ou vontade nele. Ele não é um ser passivo, levado a agir por motivos e incentivos fora de si mesmo. Se sua vontade for movida por algo além dele, isso lhe deve ser superior, e sua vontade tem de se tornar dependente daquela — e dizer isso a respeito de Deus é falar dele de modo muito indigno. Deus deseja o que lhe agrada. A predestinação ocorre de acordo com o beneplácito de sua vontade. A eleição concorda com seu conhecimento de antemão — que não é outra coisa senão sua benevolência livre e boa vontade para com os homens (Ef 1.5; 1Pe 1.2). Não se pode apresentar outra razão pode acerca da vontade de Deus ou do seu decreto de conceder a graça e a glória aos homens, apenas para a sua glória, e sua doação verdadeira a eles, outorgada por nosso Senhor: “Sim, ó Pai, porque assim te aprouve” (Mt 11.25,26).

(Extraído de: A Body of Doctrinal Divinity — book 2, chapter 2)